Resultado de imagem para eclipse

O único eclipse total do Sol de 2019 ocorre nesta terça-feira, 2, e poderá ser visto em sua totalidade só de uma estreita faixa que cruza o Chile e a Argentina. Ainda assim, está sendo chamado de "o grande eclipse latino-americano" e "o evento astronômico do ano". Em Curitiba, o fenômeno também poderá ser visto, mas parcialmente, com cerca de 43%, segundo Anísio Lasievicz, diretor do Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, a Região Metropolitana de Curitiba,

Lasievicz ressalta que a dificuldade de visualização do fenômeno, que está previsto para começar por volta das 16h23, quando a Lua começa seu movimento de encobrir o Sol, e se estender até as 17h39, é exatamente o horário. "Como estaremos muito perto do horário do por do Sol, quem estiver em locais mais baixos não terá condições de ver o eclipse", afirma. 

Na capital paranaense, o eclipse do Sol sendo ocultado deve acontecer entre 17h15 e 17h35 (ápice), mas às 17h39 ele se põe totalmente. Os melhores pontos para ver o fenômeno em Curitiba será da região do Parque Tingui e Tanguá, onde há condições de ser um maior horizonte. 

Lasievicz ressalta que o um dos melhores locais para ver o fenômeno é La Serena, Chile, onde estão instalados nada menos do que 17 observatórios astronômicos. E é extremamente raro que a área de sombra de um eclipse total caia, justamente, na região de observatório de grandes telescópios. Só ocorreu duas vezes nos últimos 50 anos.

Cuidados 

Lasievicz ressalta que para observar o fenômeno é imprescindível é o uso de um filtro de segurança. Nas lojas de ferragens e ferramentas, são vendidas pequenas placas de vidro utilizadas em máscaras de Solda. "Procure pelo FILTRO Nº 14 (apenas este serve, graduações menores são inadequadas) e o utilize para observar o Sol. Entretanto, para cada 15 segundos de observação, deixe a visão descansar por 1 minuto", diz. A observação do fenômeno a olho nu pode causar danos permanentes à visão. Lasievicz orienta aos candidatos a observadores do eclipse, a  jamais olhar para o sol a olho nu com raiografias, filmes fotográficos, óculos de sol, placas esfumaçadas, binóculos, lunetas ou telescópios. 

Os habitantes da região sudoeste do estado terão uns minutos a mais para contemplar o fenômeno dado que, quando mais ao sul e mais a oeste você estiver, uma maior parcela do Sol será coberta pela Lua. A fronteira do entre Brasil, Argentina e Uruguai será o melhor ponto de observação no país.

Além da beleza do fenômeno, os Astrônomos irão repetir as medições do Eclipse de Sobral, no Ceará em 1919, que forneceu a primeira evidência observacional da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein!

Eclipses ocorrem quando um astro bloqueia a luz solar. Um eclipse solar ocorre sempre na Lua Nova (mas não é toda a lua nova que tem eclipse, ok?), onde ocorre um alinhamento específico que faz com que a Lua bloqueie uma parcela da Lua do Sol em direção à Terra. Já o eclipse Lunar ocorre apenas na fase de Lua cheia, onde a Terra bloqueia a luz solar em direção à Lua, deixando-a avermelhada. Eclipses solares e lunares estão sempre conectados. Os lunares sempre ocorrem duas semanas antes ou após um eclipse solar!

Um eclipse solar total visível no Brasil apenas em 2045 mas, haverá um da Lua (parcial) no próximo dia 16/07/2019 e o Parque da Ciência terá uma programação especial!

La Serena

A astrônoma Duília de Melo, da Universidade Católica da América, já está em La Serena. Ela observará o eclipse com uma equipe do Observatório La Campana, em tenda montada no Atacama especialmente para isso. Como ela, também há centenas de cientistas e turistas (mais informações nesta página).

Em La Serena, a fase parcial do eclipse começará a ser observada às 15h23 e a total, às 16h39 (no horário de Brasília, será às 16h23 e 17h39, respectivamente). Por quase dois minutos, a Lua vai bloquear completamente os raios do Sol. O dia vai se transformar em noite e só será possível ver a coroa solar.

Justamente por ocorrer em uma área repleta de observatórios, o eclipse servirá a vários experimentos. Cientistas repetirão, por exemplo, o experimento feito em Sobral, no Ceará, há exatos cem anos - decisivo para corroborar a Teoria da Relatividade Geral, proposta por Albert Einstein.

"Além de tentar reproduzir o que foi feito em 1919, há outros experimentos. Tem muitos grupos fazendo estudos sobre o vento solar e a coroa do Sol", afirma Duília.

"A coroa solar, a parte externa do Sol, normalmente é invisível, porque é ofuscada pela luz", diz Cherman. "Só é visível durante o eclipse e pode trazer informações sobre a composição e o funcionamento do Sol."

Oportunidade única

Os eclipses totais do Sol não são exatamente raros. Ocorrem, em geral, duas vezes por ano. O problema é que são visíveis em sua totalidade de poucos lugares a cada vez. Sem falar que o tempo pode ficar nublado bem na hora e estragar tudo. Por isso, estima-se que as chances de uma pessoa qualquer ver um eclipse total seria de só uma vez na vida. No Brasil, o próximo está previsto para 2045.

Duília, claro, é uma exceção: será o terceiro visto por ela. "Absolutamente emocionante", conta. "Todo mundo deveria ver ao menos um na vida, para entender a força da natureza, como não estamos no controle de nada. Pessoas choram, crianças gritam, animais ficam confusos. Escurece de repente, esfria, maravilhoso. Este ano conseguiremos ver Marte e Mercúrio a olho nu. Certeza de que vou me emocionar."

f:bemparana